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Olá, bem vindos ao meu espaço que agora também é seu, este blog foi criado objetivando o trabalho com a leitura, fator indispensável a vida de qualquer ser racional, estarei expondo frequentemente textos teóricos e dinâmicos, sugestões de atividades que podem ser utilizadas como suporte no dia a dia escolar, fotos, vídeos e imagens referentes a realidade da escola na qual trabalho, espero que curtam, obrigada pela visita!!!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Realização de atividades extras na escola trabalhando a contação

                A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

Os contadores de história nasceram com a humanidade. Falar sobre
e encadear acontecimentos, acrescentando-lhes uma interpretação, são
atributos humanos. Usar o corpo para acentuar e definir a expressão do
pensamento pertence aos artifícios da comunicação entre os seres. O contador
reúne essas duas qualidades: a capacidade de narrar e de representar
– com a voz, o olhar e os gestos – essas narrativas.
A atração que sempre exerceu a narração oral reporta-se ao tempo das
cavernas, quando as caçadas e os acontecimentos do dia compunham uma
espécie de jornal falado, atraente, histórico e de forte carga ideológica.
Uma primeira pesquisa identifica, em funções estritamente semelhantes,
migrantes nômades que, disseminados por regiões diversas e culturas
diferentes, distribuíam saberes e ficções que ajudavam a construir o
que hoje denominamos História. Os rapsodos e os atores perpetuaram as
narrativas míticas gregas. Os jograis, os trouvères e os cantores de gesta
mantiveram vivas as lendas e as paixões medievais. As tribos africanas e
americanas tinham em seus feiticeiros, sacerdotes e pajés o repositório da
sabedoria ancestral, externada em falas poéticas, expressas em momentos
ritualísticos.À medida que a civilização evoluiu, os recursos refinaram-se, a arte de contar
ganhou formatos e intenções diferentes. Nasceu o teatro dos rituais religiosos,
ocupou praças e edifícios ao longo dos séculos. À narrativa dos fatos, pensamentos
e sentimentos do homem somaram-se os recursos da encenação teatral: o
palco, o cenário, a música, o figurino.
Paralelamente, os contadores, em configuração mais despojada, usando o
corpo e a voz exclusivamente, conviveram com artes mais elaboradas. Transportaram-
se a si mesmos e a sua arte para todos os espaços possíveis. Fizeram de
todos os momentos da vida o instante próprio e sedutor da contação. Presentes
em todas as sociedades, hoje, representam uma espécie de crônica viva das histórias
dos mais diferentes povos.
Comunidades ágrafas convertem seus contadores em historiadores e sacerdotes
porque eles conservam em suas narrativas os saberes do povo. Comunidades
detentoras da escrita veem nos contadores a vivificação da história. São
eles os mensageiros vivos de saberes registrados e muitas vezes desconhecidos.
Atores e artistas da oralidade, os contadores articulam a ficção e o público; os
pensamentos, expressos nos textos, com a reflexão momentânea dos ouvintes;
os sentimentos, registrados na escrita, com as emoções despertadas no calor da
contação. Leitores especiais, os contadores transcendem o texto na intenção de
disseminá-lo por um público maior.
Essa importância pode ser melhor apreendida na palavra de Paul Zumthor
(1993, p. 71):

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